Bem vindos à Oficina das Papitas. Este meu projecto, tem como principal objectivo ajudar os meus filhos que já não vivem comigo, mas que têm de cozinhar para si próprios. Espero assim poder ajudá-los. Tentarei fazê-lo com muito amor.
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Seguindo a linha da minha paixão pela cozinha italiana, perante o desafio do Gourmets Amadores para convidar um Chef para jantar em minha casa, aproveitei esta oportunidade, que me pareceu única, para convidar Alfredo di Lelio. Ultrapassadas que foram alguma burocracias inerentes ao agendamento de um convite tão súbito e inesperado por parte de uma desconhecida que, lá porque tem um modesto blog, julgou ter direito à presença em sua casa, de tão afamado Chef, lá recebi, felizmente, um e-mail com a confirmação da sua presença. Nervosa que estava e algo arrependida por tamanha loucura, nem me ocorria o que cozinhar.

- Faz o fettuccine all'Alfredo-  diziam-me os meus!

- Fettuccine all'Alfredo? Mas como? Ele certamente desdenhará tal atrevimento! Como posso confeccionar um prato e oferecê-lo ao seu inventor?

Mas, pensei melhor e a ideia  que no início me parecera rocambolesca foi perdendo tais formas. Afinal, podia tirar partido desta ideia, mesmo correndo o risco de ser motivo de chacota. Havia a possibilidade do senhor não ser assim tão pedante ao ponto de não emendar os meus erros gastronómicos neste prato que tanto gosto e que, ele, melhor que ninguém, me poderia ensinar na perfeição. E assim, lá preparei, 15' antes da hora da sua chegada, pois este prato é muito rápido, o tão famoso Fetutuccine Alfredo.

Quando tocou à porta, já a mesa estava preparada para o receber. Com alguma insegurança e nervosismo, dirigi-o à sala de jantar tentado, atrapalhadamente, arranjar as desculpas certas por me ter atrevido sequer, a fazer a pasta mais afamado do mundo. Com um sorriso afável, interrompeu-me com um gesto delicado, afirmando que a ideia tinha sido excelente e que era com muito prazer que aceitara o meu convite, provaria a minha comida e me ensinaria a melhorá-la.  Trouxe consigo a sobremesa; um excelente e tentador tiramisú que foi para o frigorífico enquanto esperava a sua vez de ser apreciado. - Quanto mais esperar para ser comido, melhor fica, é como o vosso vinho do Porto, disse-me comum olhar simpático.

Assim, com um prato de pasta acompanhado por um bom Chianti, decidiu contar-me a história da criação do seu prato e um pouco da sua história de vida. A partir daqui, passo a citá-lo:

 

"A receita original foi criada por mim, Alfredo di Lelio, em 1914 no meu restaurante   Alfredo alla Scrofa em Roma. Criei esta  nova receita  pelo facto da minha mulher, na altura grávida do nosso primeiro filho, ter perdio o apetite por comidas comuns. Adorou o Fettuccine Alfredo recuperou o apetite e por isso criei um elemento novo para o menu do meu restaurante.

 

Mas foi durante a viagem de lua-de-mel de dois atores de Hollywood (Mary Pickford e Douglas Fairbanks), que o sucesso realmente começou para mim. O casal experimentou o Fettuccine Alfredo e ficou completamente apaixonado por tal iguaria tão simples e tão saborosa.

 

Como forma de reconhecimento, enviaram-me mais tarde,  para o restaurante um garfo e uma colher de ouro, bem como a foto que haviam tirado quando lá comeram. Este acto, devidamente publicitado, contribuiu para o sucesso do prato que criei.

 

Em 1938,reformei-me e vendi o meu restaurante Alfredo alla Scroffa, que continua em funcionamento até hoje sob os cuidados de Mario Mozzetti. Porém, em 1959, fui convidado por um investidor a abrir um novo restaurante na Piazza Augusto Imperatore, nas proximidades  do primeiro restaurante de criei. 

Como processo de expansão, em 1977 o meu filho, Alfredo II  e Guido Bellanca abriram o Alfredo’s  no Rockfeller  Center  em Nova Iorque para servir o meu famoso Fettuccine Alfredo nos Estados Unidos."

A título de curiosidade, ainda acrescentou que, em Itália, principalmente no norte, pode-se encontrar o prato com o nome Pasta al burro (com manteiga).

Extasiada com a narrativa, nem tinha começado a comer mas vi com agrado que  apesar da sua conversa, entrecortada por garfadas de pasta, havia terminado a refeição.

Foto de Ristorante sinal Alfredo

 


 

 

 

Perguntou-me com amabilidade que ingredientes havia usado e como a tinha confeccionado. Descrevi da seguinte forma:

 

O que preparei:

  1. 400g de fettuccine fresco;
  2. 300ml de natas;
  3. 100g de queijo parmesão ralado;
  4. 2 colheres de sopa de manteiga;
  5. Sal e bastante pimenta moída na hora;
  6. 100g de presunto, fiambre ou bacon (opcional)

Como preparei:

Coloquei a pasta a cozer em bastante água a ferver temperada com sal. No mesmo instante, coloquei numa caçarola as natas e levei ao lume brando. Juntei o queijo parmesão ralado, mexendo suavemente. Temperei com sal, noz moscada moída na hora bem como pimenta em abundância, moída na hora. Juntei por fim a manteiga e fui mexendo até derreter.

Escorri a pasta e juntei ao molho, sempre ao lume para este ser absorvido. Juntei o presunto ou fiambre ou bacon em picado, misturei e empratei. Salpiquei com queijo parmesão ralado na hora e servir de imediato que coincidiu com a sua chegada.

 

Sorriu, aplaudiu e foram estas as suas palavras na despedida:

"Maria, como sabes, o fetticcini Alfredo é um prato centenário que não leva natas nem qualquer tipo de carne. Apenas muita manteiga e queijo, juntamente com a pasta. Porém, a junção das natas e dos bocadinhos de presunto foram excelentes pois conferiram ao prato um toque cremoso e requintado. Obrigado pela ideia. Como por aqui se pode comprovar, até o criador e mestre pode aprender com os seus discípulos. Não quero dizer com isto que não tenhas ainda um longo caminho para percorrer na alquimia dos sabores mas, é um bom começo teres coragem para alterares sem danificares.

Obrigada por tão agradável refeição e, até sempre".

 Foto de caricatura de Alfredo di Lelio

 

Ao arrumar a mesa do jantar, deparei, dissimulado por baixo do guardanapo usado, com um papelinho manuscrito com duas receitas que farei em breve e que mais tarde postarei aqui. Uma é a da massa de pizza Alfredo e outra a do Tiramisú, a sobremesa que trouxe consigo e que tanto elogiei. No final uma anotação : " cria e recria, mas sem danificares". 

Fiquei tão contente e orgulhosa que decidi narrar este episódio no passatempo Convidei para Jantar criado pela autora do blog " A Padaria da Ana", e cuja anfitriã deste mês é a Suzana do Gourmets Amadores.

 

publicado por Maria às 08:00
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